Megaprojetos na panamazônia : notas preliminares para uma compreensão sociológica y comunicativa
DOI:
https://doi.org/10.16921/chasqui.v1i161.5273Palavras-chave:
Panamazônia; megaprojetos; corredores; povos e comunidades tradicionais; conflitos territoriais; neocolonialismoResumo
Este artigo propõe uma interpretação sociológica e comunicativa dos megaprojetos na Panamazônia, compreendidos como ações deliberadas do Estado e de grandes conglomerados econômicos voltadas à integração de mercados globais por meio de corredores logísticos energéticos ecológicos e biológicos. Em oposição às leituras que os tratam como desdobramentos naturais do desenvolvimento ou da globalização, o texto sustenta que tais empreendimentos produzem reconfigurações territoriais profundas, intensificam a concentração fundiária e provocam deslocamentos compulsórios de povos e comunidades tradicionais. Com base em pesquisas etnográficas realizadas em diferentes regiões amazônicas e nos trabalhos do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, introduz-se a noção de megaprojetos inconcludentes como chave analítica central, destacando sua permanência prolongada e estruturalmente inacabada como fator gerador de incerteza conflitos sociais contínuos e despossessão. O artigo analisa ainda o uso recorrente de metáforas geométricas e discursivas como corredores complexos arcos e mosaicos, interpretadas como estratégias contemporâneas do neocolonialismo. Conclui-se que essas dinâmicas configuram um cenário de conflitos permanentes e resistências continuadas que exigem uma revisão crítica das categorias de desenvolvimento planejamento e proteção ambiental na Amazônia.
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