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Covid-19 e fake news: análise das notícias verificadas no site “Fato ou fake”

Covid-19 and fake news: analysis of the veryfyed news at the website “Fact or fake”

Covid-19 y noticias falsas: análisis de las noticias verificadas en el sitio “Hecho o falso”

Marcelli Alves da Silva

Universidade Federal do Maranhão - UFMA / alves.marcelli@yahoo.com.br

Frida Bárbara Medeiros

Universidade Federal do Maranhao - UFMA / frida.barbara22@gmail.com

Kellen Alves Ceretta Correo

Universidade Federal do Maranhão - UFMA / ke.ceretta@gmail.com

Chasqui. Revista Latinoamericana de Comunicación

N.º 145, diciembre 2020 - marzo 2021 (Sección Monográfico, pp. 119.136)

ISSN 1390-1079 / e-ISSN 1390-924X

Ecuador: CIESPAL

Recibido: 14-09-2020 / Aprobado: 02-12-2020

Resumen

Este trabajo analizó las publicaciones en la sección Fact or Fake, ubicada en la página G١. Para ello se crearon 9 categorías de análisis: profilaxis y curación del coronavirus, vacuna, xenofobia, videos verdaderos en el contexto falso, teoría de que el virus fue predicho en el pasado, político, pánico, aislamiento social y otros. Del análisis se concluyó que se encontraron 86 noticias en un período de 60 días. Además, está claro que si bien los recursos tecnológicos e internet facilitan enormemente el acceso a todo tipo de información, la verificación de esta información es cada vez más necesaria. Esta situación refuerza aún más la importancia del periodista y el papel del Gatekeeper.

Palabras llave: Hecho o Falso, COVID-19, noticias falsas, periodismo, G1

Resumo

Este trabalho analisou as publicações na seção Fato ou Fake, localizada na página do G1. Para isso, foram criadas 9 categorias de análises: profilaxia e cura do coronavírus, vacina, xenofobia, vídeos verdadeiros no contexto falso, teoria de que o vírus foi previsto no passado, político, pânico, isolamento social e outros. A partir das análises, concluiu-se que 86 notícias foram encontradas em um período de 60 dias. Além disso, percebe-se que embora os recursos tecnológicos e a internet facilitam sobremaneira o acesso a todos os tipos de informação, a checagem desta é cada vez mais necessária. Essa situação reforça ainda mais a importância do jornalista e o papel do Gatekeeper. 

Palavras-chave: Fato ou Fake, Covid-19, fake news, jornalismo, G1.

 

Abstract

This work analyzed the publications in the Fact or Fake section, located on the G1 page. For this, 9 categories of analyzes were created: coronavirus prophylaxis and cure, vaccine, xenophobia, true videos in the false context, theory that the virus was predicted in the past, political, panic, social isolation and others. From the analysis, it was concluded that 86 news items were found in a period of 60 days. In addition, it is clear that although technological resources and the internet greatly facilitate access to all types of information, checking this information is increasingly necessary. This situation further reinforces the importance of the journalist and the role of the Gatekeeper.

Key words: Fact or Fake, Covid-19, fake news, journalism, G1.

1. Introdução

As fake news ou notícias falsas consistem em mensagens produzidas para atrair a atenção do público com a intenção de desenformá-lo, geralmente de forma disfarçada, passando uma aparente credibilidade e veracidade para quem as recebe. Estas notícias falsas propagadas em formatos de vídeos, áudios ou textos, na internet ou em aplicativos, tem o objetivo de gerar polêmica ou provocar dúvidas em torno de uma determinada situação, gerando acessos e visualizações em sites e vídeos na internet e descredibilizando informações confiáveis.

Para Sodré (2019, p.99), as fake news veiculadas na internet fazem parte de um quadro problemático de desinformação e “são da natureza do boato, a ser recebido menos por seu conteúdo factual e mais por sua fabulação narrativa, ao modo que um fait-divers perverso deliberado”. Neste sentido, Filho (2019) ressalta que as notícias falsas vão além da criação e circulação de mentiras, existe o agravante do uso de computadores, os chamados “robôs” que replicam de forma massiva e viral a mesma notícia falsa incontáveis vezes em milhares de postagens buscando massacrar as opiniões divergentes.

O termo fake news ganhou notoriedade no cenário mundial nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016, na qual investigações apontam que o então candidato Donald Trump (Partido Republicano) foi favorecido em um esquema virtual de notícias falsas e disparo massivo de informações feito por robôs. No entanto, as consequências das notícias falsas, atualmente, não estão restritas apenas as cenário político, como afirma Filho (2019, p.17):

As fake news hoje já não são apenas fake news. Todo o cenário contemporâneo mudou assustadoramente [...] O mundo parece passar por turbulências jamais vistas em termos de intensidade, força e virulência. Cabe aqui uma reflexão preocupada e radical a respeito desse novo fenômeno, filho direto da acelerada substituição de tecnologias e seu atrelamento às estratégias de supremacia e controle das forças políticas e econômicas do planeta. Tudo indica que estamos diante de uma nova forma de dominação que veio substituir o discurso radical e republicano, alterando profundamente o papel dos meios de comunicação, especialmente a imprensa falada, escrita e televisionada, com o ingresso no cenário das redes sociais como ator decisivo de intervenção política.

Baptista (2019) destaca que a existem duas perspectivas para as notícias falsas. A primeira, sendo uma definição mais limitada que considera apenas as notícias que podem ser desmentidas com a verificação dos fatos, como as verificadas por empresas como Washington Post, New York Times e pelo G1, portal de notícias brasileiro mantido pelo grupo Globo.

2. Marco Teórico

2.1. As fake news: problema de saúde pública

O novo Coronavírus (Covid-19) tem sido pauta nas mídias tradicionais e digitais em todo o mundo desde o início de 2020. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no dia 11.03.2020 a referida doença como pandemia. Desde o surgimento da doença é comum a circulação de fake News. A população, preocupada e ansiosa por novas informações sobre o vírus e seus efeitos ainda desconhecidos, recebe e compartilha diversos textos e vídeos sem verificar a veracidade dessas notícias. Assim, as informações atualizadas diariamente sobre a evolução do vírus e repassadas pelas instituições públicas, que pesquisam sobre a doença, aliadas às notícias falsas produzidas intencionalmente para enganar e confundir a população, provocam a sensação de insegurança, medo e dúvidas. No Brasil, o número de notícias falsas sobre a Covid-19 tem crescido de tal forma que o Ministério da Saúde (MS) disponibilizou um número a ser atendido pelo aplicativo de mensagens Whatsapp, como espaço exclusivo e gratuito, para o que a população envie mensagens com imagens ou textos e notícias que tenham recebido sobre o novo coronavírus. Estas informações são apuradas pelas áreas técnicas e respondidas pelos órgãos oficiais, confirmando se são verdade ou mentira.

Na área da saúde, a disseminação de fake news provoca problemas graves em relação à luta que os órgãos de saúde travam para conscientizar e prevenir a população de diversas patologias, como o novo coronavírus (Junior, Raasch, Soares & Ribeiro, 2020, p.336). Para exemplificar, os autores citam o movimento antivacina (no caso do sarampo) no Brasil, que, “após uma série de informações falsas que mobilizou uma parcela da sociedade a se voltar contra a vacinação, culminando na volta da doença a níveis alarmantes no Brasil, houve mais de 13 mil casos confirmados e 15 mortes no ano de 2019”.(idem)

Neste sentido, Araújo (2020, p.2) fala que o poder de disseminação e persuasão das notícias falsas é incalculável, quanto maior o tempo para retirar determinado conteúdo ilícito da internet, maiores são os danos, graças à velocidade de propagação das informações. Segundo ele, “[...]caso haja demora em retirar o conteúdo falso envolvendo saúde pública da internet poderá haver severas consequências, colocando em risco a vida e a integridade física de toda a sociedade”. (idem)

Para Brisola & Bezerra (2018) a forma como as fake news conseguem se propagar e afetar a população com informações falsas de forma tão rápida, deve-se ao fato de os usuários de hoje serem ‘atropelados’ pela quantidade e pela velocidade das informações que recebem a todo momento. Os autores comentam que existem, pelo menos, duas motivações para grande fabricação e circulação da fake news. A primeira, é que as notícias falsas geram lucro, se tornando virais, gerando acesso e consequentemente ganho de publicidade nos sites em que elas estão vinculadas. A segunda motivação é de base ideológica, para os autores, “as pessoas que acreditam em uma determinada ideologia e querem atrapalhar, humilhar, desacreditar etc. o ‘outro lado’, ‘ajudando’ assim o ‘seu lado’” (Brisola & Bezerra, 2018, p.323).

O avanço da tecnologia possibilitou um alcance maior e mais barato dos conteúdos que as mídias tradicionais. Neste sentido Filgueiras (2018) ressalta que o público passou a tomar consciência dos fatos e o divulgá-los antes mesmo dos jornalistas, acarretando em informações veiculadas sem a devida apuração ou fora de contexto. Neste sentido, a autora acrescenta que o os profissionais de comunicação precisam assumir a responsabilidade pela notícia e preocupar-se com a veracidade dos fatos. Dessa forma, “jornalismo precisa retomar o papel de mediador entre fontes e público, crítico e curador do material que circula na web”. (Figueiras, 2018, p.97)

2.2. Entendendo a Covid-19

“Homem que esteve na Itália é primeiro caso de coronavírus confirmado no Brasil”. Do dia 26 de fevereiro de 2020 em diante, essa frase esteve presente em quase todas as reportagens e telerreportagens dos mais variados meios de comunicação do país. Naquele momento, pouco se sabia sobre o novo vírus que acabara de chegar ao Brasil e é provável que uma grande parcela da população sequer imaginasse o que iria vir depois. Exatas duas semanas depois, a Organização Mundial da Saúde – OMS declarou pandemia do “novo coronavírus”, como é conhecido.

O vírus faz parte de um grupo viral, envelopados com um genoma RNA de cadeia positiva e pertencentes à família Coronaviridae e subfamília Coronavirinae, que causa infecções temporárias, como os conhecidos resfriados, ou infecções mais graves, como a pneumonia, o que quer dizer que são variados os tipos de coronavírus. Então é comum que qualquer indivíduo entre em contato com algum desses vírus ao longo de sua vida ( Hoek, Pyrc & Jebbink, 2004). Um total de sete coronavírus é reconhecido como patógenos em humanos, alguns desses vírus são causadores de infecções respiratórias em uma variedade de animais, inclusive em aves e mamíferos (Fehr & Perlman, 2015).

Nos últimos 20 anos, houve surto de transmissões dos coronavírus mais graves, dois deles foram responsáveis por epidemias mais virulentas de síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV), que surgiu na China, entre 2002 e 2003, e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV), que surgiu na Arábia Saudita em 2012. (Lana et. al., 2020). Em 2020, o mundo é acometido por um novo subtipo, a Covid-19, ou o novo coronavírus, provocado pelo SARS CoV-2.

O novo vírus foi descoberto no final de 2019, na cidade de Wuhan, província de Hubei, na China. O surto começou com uma pneumonia de causa desconhecida. Entre os casos analisados, o vírus foi encontrado em comerciantes e frequentadores de um mercado de frutos do mar, também foi encontrado em animais selvagens (vivos e mortos). As evidências são de que estas pessoas tinham contato direto com fluidos e vísceras desses animais infectados (Chaves & Bellei, 2020). Acredita-se que a Covid-19 tenha vindo de morcegos.

A frequência de eventos de transmissão de patógenos de animais para humanos tem tido um aumento nas últimas décadas, reconhecidamente denominada de zoonoses. Os principais motivos para estes eventos incluem a grande interface entre humanos e animais selvagens, além do consumo desses animais para alimentação do homem. A cultura alimentar chinesa sustenta que os animais vivos abatidos são mais nutritivos, e a prática desta crença pode contribuir para a transmissão de patógenos, como os vírus (Chaves & Bellei, 2020, p. ii).

Historicamente, a vida dos seres humanos foi marcada e moldada pelas zoonoses por muitos séculos, porém esse fenômeno ainda é pouco compreendido ou analisado (Chaves & Bellei, 2020). O que sabemos é que, após ser declarada a pandemia do novo coronavírus as relações de trabalho foram alteradas, as relações interpessoais ficaram quase que extintas e a rotina diária de milhares de brasileiros foi profundamente modificada.

2.3. O jornalismo em tempo de pandemia

A pandemia do novo coronavírus trouxe muitas mudanças não só nas relações interpessoais, mas também nas relações de trabalho. A produção que antes acontecia dentro das empresas, durante o isolamento social passou a acontecer dentro de casa – o conhecido home officce. Com mais tempo em casa, os indivíduos passaram a utilizar mais a televisão, principalmente para se informar sobre a pandemia da Covid-19, é o que afirma a pesquisa do DataFolha, realizada no mês de março de 2020. Na pesquisa, 61% dos entrevistados diz confiar mais em programas jornalísticos de televisão e 56% nos jornais impressos, em contrapartida, apenas 12% afirmam ter confiança em redes sociais e/ou whatsapp.

A procura por informação no período de pandemia cresce significativamente, bem como a audiência dos veículos de comunicação. A Rede Globo, por exemplo, passou a dedicar onze horas da sua grade de horário para o telejornalismo e bate recordes de audiência. Em uma análise sobre a pesquisa DataFolha sobre a confiança na imprensa convencional, a professora da Universidade Federal de Juiz de Fora, Iluska Coutinho, acha que a pandemia mostra o jornalismo como lugar de referência. Afirma ainda que é especialidade do jornalismo a capacidade de identificar onde está a informação mais precisa e correta, e trabalhá-la de modo a torná-la mais acessível para a sociedade.1

Enquanto a pandemia tem dado um novo respirar ao jornalismo brasileiro, que, em geral, vem sendo bem avaliado pela sociedade, ela também trouxe um caminho muito difícil de percorrer: o bombardeamento das fake news.

3. Metodologia

O material analisa os dois primeiros meses de publicação, na seção Fato ou Fake, do portal G1, após o primeiro diagnóstico de COVID-19 no Brasil. O período escolhido foi em função deque dois meses após o início da pandemia no país, os casos já caminhavam a passos largos para que ficasse evidente que a situação já tinha saído de controle. Em dois meses, os números alcançaram o marco de 33.682 testes positivos para COVID 19 e 2141 óbitos no país.

Para isso, utilizou-se como método a Análise de Conteúdo, Bardin (1977) e, por isso, foram categorizados todos os materiais publicados no referido período. “A categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com os critérios previamente definidos” (Bardin, 1977, p.117).

Foram criadas 9 categorias de análises sendo estas: profilaxia e cura do coronavírus, vacina, xenofobia, vídeos verdadeiros no contexto falso, teoria de que o vírus foi previsto no passado, político, pânico, isolamento social e outros.

4. Discussão

A agência de checagem Fato ou Fake é uma das muitas agências, conhecidas pelo termo em inglês fact-checking, que foram criadas com o intuito de alertar a sociedade sobre as chamadas fake news (notícias falsas, em português). De acordo com instituto de pesquisas Duke Reporters’ Lab, existe mais de 300 agências ativas no mundo inteiro, que equivale o dobro do total de 2016 até o ano presente2.

Por certo, o serviço de checagem de notícias é inerente ao fazer jornalístico, pois retoma a mais básica essência do jornalismo, que é a apuração (Prado & Morais, 2018). De acordo com Graves et al (2013) o fact-checking, ou as agências de checagem, é uma forma de investigar a veracidade das contestações públicas. É dever do jornalista “checador” apurar e verificar as mais variadas notícias que vão de encontro ao público. Diniz (2017) vai dizer que a transparência é fundamental para essas agências, posto que “sua credibilidade está ancorada em uma imagem de objetividade quase absoluta, sem vínculos de cunho ideológico, econômico ou político que possam “interferir” em suas checagens” (Diniz, 2017, p. 26).

O nosso objeto de pesquisa, o Fato ou Fake, lançado no dia 30 de julho de 2018, é uma seção localizada na página do G1, portal de notícias brasileiro mantido pelo grupo Globo, e tem como objetivo “alertar os brasileiros sobre conteúdos duvidosos disseminados na internet ou pelo celular, esclarecendo o que é notícia (fato) e o que é falso (fake)” (G1, 2018). A apuração das notícias é realizada por um conjunto de jornalistas dos veículos de comunicação brasileiros G1, O Globo, Extra, Época, Valor, CBN, GloboNews e TV Globo. As equipes de jornalistas têm como dever o monitoramento diário com o objetivo de identificar mensagens de cunho duvidoso que são constantemente compartilhadas nas redes sociais e por aplicativos de trocas de mensagens instantâneas, como o Whatsapp.

Também haverá um “bot” (robô) no Facebook e no Twitter que responderá o que é falso ou verdadeiro, caso o assunto já tenha sido verificado pelos jornalistas da Globo. Além disso, por meio de um número de WhatsApp, usuários cadastrados poderão ver os links das checagens realizadas (G1, 2018).

O projeto traz a transparência de informações como principal critério de checagem, e para isso serão consideradas: a transparência de fontes, na qual será apresentado, com clareza, o caminho de apuração percorrido pelo jornalista. Dessa forma, todas as fontes consultadas, pessoas ou instituições, serão identificadas nos textos; a transparência de metodologia, que deixará claro o processo de seleção da mensagem a ser checada, a apuração e a classificação da checagem, mostrando, assim, o porquê de tal notícia ser considerada fato ou fake; e a transparência de correções, que irá identificar na reportagem se houver alguma alteração na checagem que tenha comprometido a publicação original. Abaixo a apresentação visual da seção:

Figura 1 - Apresentação visual do Fato ou Fake

Fonte: G1- Fato ou Fake

4.1 Fato ou Fake contra coronavírus

A checagem da informação é o princípio básico do jornalismo. No entanto, com o número exacerbado de notícias falsas em veiculação nos últimos anos, essa atividade passou a ser desempenhada também por agências de fact-cheking, especializadas e com metodologias que facilitam a verificação, com o objetivo de filtrar as informações relevantes, melhorando assim o debate, especialmente nas redes.

Para Spinelli e Santos, com o aumento exponencial de disseminação de notícias falsas, a tendencia é que os veículos necessitem cada vez mais dos recursos dessas agências.

Diante da disseminação de notícias falsas e o comportamento do público em relação ao que se produz, a tendência é de que os grandes veículos de comunicação, diante de suas redações cada vez mais enxutas, tenham que usar cada vez mais a mão-de-obra de agências de checagem para auxiliar nesse processo. (Spinelli, Santos – 2018, p. 13)

Trazendo essa preocupação para o contexto da pandemia do novo coronavírus e o rápido aumento dos casos de notícias falsas, o projeto Fato ou Fake passou a disponibilizar uma sessão exclusiva para a checagem e publicação de informações relacionadas à doença. Desde o dia 03 de fevereiro de 2020, quando a primeira notícia falsa sobre o coronavírus foi verificada, o portal tem publicado diariamente, vídeos, fotos e posts que tem viralizado nas redes sociais.

Figura 2- Print da sessão sobre coronavírus no Fato ou Fake

Fonte: G1

Durante o período de análise desta pesquisa, foram encontradas 86 notícias falsas verificadas pelo Fato ou Fake. Um dado preocupante que corresponde a cerca de 1,4 notícias checadas todos os dias apenas sobre a doença e suas consequências.

5, Resultados

5.1 Quanto aos números

Na categoria profilaxia e cura do coronavírus foram selecionadas todas as Fake News que abarcavam instruções para que se as pessoas seguissem ou na tentativa de ficar imune ao referido vírus ou de conseguir sair curado do mesmo, caso fosse infectado. O termo vacina contemplou as informações que traziam à tona a certeza da descoberta de vacinas para a doença. O termo xenofobia foi importante para diagnosticar as notícias que incitavam ao ódio em relação a outros países, principalmente a China, país onde ocorreu o primeiro caso do coronavírus.

Vídeos verdadeiros no contexto falso foi uma categoria de análise necessária pois tratam-se de vídeos que, por mais estranhos que parecem, existiram de verdade. No entanto, a forma como foi contextualizado o correlacionado com o coronavírus acabaram por transformá-lo em uma Fake News. Teoria de que o víruso foi previsto no passado também foi necessária uma vez que algumas notícias trouxeram essa discussão.

Situações relacionadas a discussão da doença no contexto político instigou à criação da categoria de análise político assim como a temática de isolamento social. Materiais com a intenção de instaurar o pânico na população foram classificados na categoria Pânico e materiais que fugiam a todas essas temáticas em outros. O resultado da análise quantitativa segue abaixo, na figura 2.

Figura 2 – categorias de análises

Fonte: as autoras

A partir do gráfico acima é possível afirmar que a categoria profilaxia e cura do coronavírus encontrou 22 mensagens de Fake News, vacina, 6, xenofobia, 8, vídeos verdadeiros no contexto falso, 11, teoria de que o vírus foi previsto no passado, 4, político, 6, pânico, 5, isolamento social, 6 e outros, 21.

A análise quantitativa dos materiais evidencia que as notícias relacionadas a cura e profilaxia do coronavírus ganham destaques, tomando o primeiro lugar na análise, em um total de 22 Fake News. Em quinto lugar, em números, ficaram as notícias relacionadas a vacina, isolamento social e político. Embora com distanciamento da profilaxia e cura em números, as notícias relacionadas a vacina sempre mostram que ela não está disponível no Brasil, o que, de alguma forma, nos leva a inferir que o tratamento e a profilaxia (em segundo lugar em números) pode ser mais vantajoso e atraentes no momento para quem consome e dissemina esse tipo de material.

Em segundo lugar ficou a categoria outros. Nela, situações diversas são atribuídas ao novo coronavirus e a sua relação com a sociedade. Vídeos verdadeiros em contexto falso ficou em terceiro lugar e xenofobia em quarto em relação aos números. Em sexto ficaram as notícias com a intenção de criar pânico nas pessoas.

5.1.1 Quanto à temática

Para que se entenda melhor a forma como as notícias foram divulgadas, criou-se quadros para que os materiais fossem divididos de acordo com o que foi tratado. No quadro 1 as temáticas relacionadas as notícias que tratavam de profilaxia e cura do Covid-19.

Quadro 1 – Profilaxia e cura do coronavírus

Água quente para evitar coronavírus e gargarejo com água morna, sal e vinagre

Mensagem em vídeo que diz que álcool gel não funciona como forma de prevenção contra o coronavírus

Texto que diz que vitamina C e limão combatem o coronavírus

Governo americano fez recomendações para as pessoas rasparem barba ou bigode por uso eficiente de máscara contra o coronavírus

Mensagem sobre coronavírus atribuída ao hospital de Stanford sobre a cura

Tigela de água com alho recém-fervida cura o coronavírus

Soroterapia combate o coronavírus

Pesquisa do MIT conclui que o coronavírus não é transmitido em locais com temperatura acima de 20ºC

Banho muito gelado ou muito quente combatem o novo coronavírus

Estudo conclui que fumar maconha torna pessoa imune ao novo coronavírus

Limão e bicarbonato evitam morte por coronavírus

Novo coronavírus não resiste ao calor à temperatura de 26ºC ou 27ºC

Ozonioterapia mata o novo coronavírus

Está comprovado que beber vinho combate ao novo coronavírus

Café tem substâncias que combatem o coronavírus

A ingestão de alimentos alcalinos combate o novo coronavírus

Fonte: as autoras

Embora o Covid-19 desafie a medicina em todo o mundo e tenha se tornado uma pandemia mundial é perceptível, de acordo com o quadro acima, que as Fake News, com as devidas exceções, que tratam sobre a profilaxia e cura relata uma simplicidade na solução do problema. Ou seja, a cura e a profilaxia estariam ao alcance de qualquer brasileiro, independente da condição social. Esse tipo de Fake News também pode levar a uma falsa sensação de segurança quanto à doença, uma vez que em sua maioria garante o tratamento de sucesso. No quadro 2 estão relacionados os temas voltados a uma possível vacina contra o coronavírus.

Quadro 2 - Vacina

Cuba tem enviado vacina contra o coronavírus para a Chin

Israel já tem uma vacina contra o novo coronavírus

Vacina canina mostrada em vídeo se destina ao novo coronavírus humano.

Fonte: as autoras

Assim como as relacionadas no quadro 1, o tema vacina também acaba por criar uma falsa sensação de solução do coronavírus, pois, se já existe vacina é questão de tempo para chegar ao Brasil. O quadro 3 traz a temática xenofobia.

Quadro 3 - Xenofobia

Foto mostra centenas de mortos em praça na China

Vídeo mostra chinesa com coronavírus sendo presa em mercado da Austrália após cuspir em bananas

Imagem que mostra inscrição ‘covid-19’ em vagão de trem

Governo chinês busca aprovação para matar 20 mil pacientes com coronavírus

Vídeo mostra telhado cheio de morcegos fonte do coronavírus na China

Produtos importados da China podem conter coronavírus

 

Fonte: as autoras

O item xenofobia, destaca-se aqui uma vez que a China foi o primeiro epicentro da doença no mundo. Muitos passaram a chamar, no Brasil, o Covid - 19 como vírus Chinês e também não é incomum ataques xenofóbicos a região e até mesmo uma teoria da conspiração de que o vírus foi criado na China, propositalmente, para que a mesma dominasse o mundo. O quadro 4 traz a temática: vídeos verdadeiros no contexto falso.

Quadro 4 - Vídeos verdadeiros no contexto falso

Vídeo mostra motorista preso pela SWAT na China por estar com coronavírus

Vídeo mostra crianças deitadas no chão com dor por causa do coronavírus na China

Imagem mostra vacina contra o coronavírus feita por cientistas dos EUA

Vídeo mostra presidente da China falando sobre coronavírus, ameaças ao Ocidente e 3ª Guerra

Vídeo mostra saques a supermercados e lojas em São Vicente em meio à pandemia do coronavírus

Vídeo mostra descarte de alimentos na Ceagesp causado por bloqueio de caminhões após o novo coronavírus

Vídeo mostra saque a supermercado no Brasil após restrições por conta do coronavírus

Vídeo que mostra cobras, ratos e cães prontos para consumo humano foi gravado na China

Imagem mostra paciente curado da Covid-19 após uso de medicamento

Fonte: as autoras

É importante ressaltar que esta categoria de análise se fez necessária, pois, todos os vídeos contemplados são verdadeiros. Porém, o contexto no qual eles foram utilizados e a forma como foram induzidos o fazem falso. Por exemplo, o vídeo que mostra crianças deitadas no chão com dor supostamente causada pelo coronavírus realmente existiu. Porém, ele foi gravado na África do sul. Neles, as crianças fingiam estar vivenciando um ataque de uma bomba. O quadro 5 traz a temática de que o coronavírus foi previsto no passado.

Quadro 5 - Vírus foi previsto no passado

Livro de 1981 previu o novo coronavírus

Desenho ‘Os Simpsons’ previu surto de coronavírus

Nostradamus fez profecia do novo coronavírus em livro de 1555

Filme de 2013 chamado ‘Coronavírus’ previu a pandemia atual

Fonte: as autoras

Todos os casos citados foram analisados e considerados falsos. Na figura 6 os temas classificados como político.

Quadro 6 - Político

Lei proíbe sair de casa por mais de um mês e prevê multa ou prisão por descumprimento em razão do coronavírus

Governador do DF determinou volta às aulas e abertura total do comércio na segunda, 30

Medida provisória determina suspensão da aposentadoria dos idosos que saírem às ruas em meio à pandemia do coronavírus

Mensagem que fala em cadastro para receber de R$ 600 a R$ 1.200 de auxílio emergencial por causa do coronavírus

Exército Brasileiro abriu 2 mil leitos em 48 horas para pacientes com coronavírus

Mensagem que fala em saque do fundo previdenciário para ajudar população por conta do coronavírus

Fonte: as autoras

Uma das categorias de análise desse material é a classificação Pânico. Neste subitem, foram levadas em consideração notícias que tinham como foco desestabilizar as pessoas, causando a elas medo e pânico. As mesmas se encontram no quadro abaixo:

Quadro 7 – Pânico

Áudio que diz que Einstein tem 700 internados com coronavírus e Sírio, o dobro disso

Foto de dezenas de caixões enfileirados seja de vítimas do coronavírus na Itália

Mais de 200 crianças morreram por causa da Covid-19 na Itália em apenas um dia

Imagem que mostra anúncio de fechamento de supermercados no Rio

Funcionários do Guanabara estejam com coronavírus e trabalhando normalmente

Fonte: as autoras

O tema isolamento social foi considerado bastante polêmico durante a pandemia do coronavírus no Brasil. Isso se deu em função de que uma corrente social acreditava que ele não era eficaz, contrapondo, assim, a ciência. É preciso ressaltar que a sociedade que se posiciona contra o isolamento social é baseada quase que totalmente em situações empíricas. Abaixo o quadro com essa temática:

Quadro 8 Isolamento social

Holanda reduziu mortes pela Covid-19 mesmo sem isolamento social

Israel adotou apenas o isolamento de idosos para enfrentar o coronavírus

Apresentadora Maria Júlia Coutinho tenha ido à praia mesmo com recomendação de autoridades devido ao coronavírus

 Foto mostra Tiago Leifert e equipe do BBB festejando em restaurante em meio à pandemia do coronavírus

Vídeos mostram donos do Atacadão e do Carrefour pedindo fim do isolamento social

Fonte: as autoras

A subclassificação considerada como outros, concentra os materiais encontrados nesse período que não se enquadraram nas classificações descritas acima. Ao todo foram 21 Fake News nessa categoria.

Quadro 9 – Outros

Beneficiários do Bolsa Família vão ganhar R$ 470 para comprar produtos de limpeza e máscaras contra o coronavírus

Mensagem que diz que Pequim e Xangai não tiveram casos de coronavírus

Bill Gates ou a CIA obtiveram a patente do novo coronavírus em 2015

Mensagem que indica números de Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde para acionar exame de coronavírus em casa

Mensagem que diz que a Ambev está distribuindo álcool gel grátis para a população

Bióloga espanhola ironizou salários de Messi e Cristiano Ronaldo ao falar de cura do coronavírus

Morte de traficante em tiroteio foi noticiada como se fosse por Covid-19

Ministério da Saúde orienta parentes a rejeitar atestados de óbito que apontem morte por coronavírus

Foto que mostra dinheiro jogado no meio da rua na Itália em meio à pandemia do coronavírus

Print de reportagem que diz que criança foi batizada de Alquingel no ES em meio à pandemia do coronavírus

Foto mostre agência da Caixa lotada após sanção de auxílio emergencial de R$ 600

Homem pego com fuzis e mais de 100 kg de cocaína estava em prisão domiciliar e tinha sido liberado por causa do coronavírus

Caco Barcellos foi agredido na região do Brás durante a pandemia do coronavírus

Morte por atropelamento foi registrada como sendo por Covid-19 no interior de São Paulo

OMS fez cartaz recomendando ‘evitar sexo desprotegido com animais’

Mensagem sobre cadastramento para receber auxílio cidadão por causa do coronavírus

Imagens mostrem rainha Elizabeth II com máscaras da mesma cor da roupa no meio da pandemia de coronavírus

Governo russo soltou leões nas ruas para amedrontar a população e fazê-la ficar em casa por conta do coronavírus

Anatel tem dado 7 GB de internet à população por causa do coronavírus

Início do surto de H1N1 no Brasil, em 2009, matou mais que o do novo coronavírus

Fotos mostram governador Ronaldo Caiado sendo agredido em Goiás

Fonte: as autoras

Ao realizar a análise quanto a temática, percebe-se que os números apresentados não são iguais aos classificados no quantitativo, exibidos na figura 2. Isso se dá em função de que algumas notícias continuam viralizando e, por isso, após um período elas reaparecem como Fato e Fake em datas diferentes, mas que contemplam o período que foi analisado. A exemplos, são:

Quadro 10 – temática em repetição

Texto que diz que vitamina C e limão combatem o coronavírus

Governo americano fez recomendação para as pessoas rasparem barba ou bigode por uso eficiente de máscaras contra o coronavírus

Tigela de água com alho recém-fervida cura o coronavírus

Mensagem sobre coronavírus atribuída ao hospital de Stanford

Soroterapia combate o coronavírus

Fazer gargarejo com água morna, sal e vinagre elimina o coronavírus

Cuba tem enviado vacina contra o coronavírus para a China

Vídeo mostre crianças deitadas no chão com dor por causa do coronavírus na China

Desenho ‘Os Simpsons’ previu surto de coronavírus

Fonte: as autoras

Os materiais que foram replicados nos levam a inferir que aqueles relacionados a profilaxia ou cura do coronavírus ficaram em primeiro lugar, em relação a repetição, e os relacionados a vacina em segundo.

Conclusões

A partir das análises, foi possível concluir que as informações falsas relacionadas a Covid-19 foram muito intensas nos meses analisados, chegando a um quantitativo de 86 notícias em um período de 60 dias. Após a criação de categorias, percebeu-se que as notícias que tendiam a levar às pessoas a acreditarem que o Covid-19 era uma doença simples, pouco mortal e que receitas elementares poderiam levar à cura, predominaram em relação às demais. Ou seja, a cura e a profilaxia estariam ao alcance de qualquer brasileiro, independente da condição social. Esse tipo de Fake News também pode levar a uma falsa sensação de segurança quanto à doença, uma vez que em sua maioria garante o tratamento de sucesso.

Percebe-se, também, que vídeos verdadeiros utilizados em contextos falsos ganham uma velocidade de expansão e um espaço cada vez maior entre as Fake News. Isso pode ser justificável uma vez que as imagens falam por si, na maioria das vezes, e quando não contextualizadas de forma correta podem levar ao erro. Embora ainda exista muita dúvida sobre a real maneira do surgimento do vírus e uma especulação de que o mesmo foi criado de forma intencional pelos chineses, percebe-se que conteúdos que sugerem aversão a China, como um todo, também ganharam espaços entre as Fake News disseminadas no período.

Após a conclusão da análise, percebe-se que embora os recursos tecnológicos e a internet facilitam sobremaneira o acesso a todos os tipos de informação, a checagem desta é cada vez mais necessária. Essa situação reforça ainda mais a importância do jornalista e o papel do gatekeeper, uma vez que, segundo White (1999, p.32), possui o poder pessoal de decidir o que é ou não notícia, isto é, o que pode ou não ser publicado.

Referências

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11. Disponível em: https://reporterslab.org/latest-news/.

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