Monografico_Indicadores_para_el_an_lisis_de_narrativas_period_sticas_sobre_desastres

Indicadores para análise das narrativas jornalísticas sobre desastres: em busca de invisibilidades e saliências

Indicators for the analysis of journalistic narratives on disasters: in search of invisibilities and prominences

Indicadores para el análisis de narrativas periodísticas sobre desastres: en busca de sutilezas y referencias

Márcia Franz Amaral

Brazil / marciafranz.amaral@gmail.com

Carlos Lozano Ascencio

Universidad Rey Juan Carlos, España / carlos.lozano@urjc.es

Esther Puertas Cristobal

Universidad de Cadiz, España / esther.puertas@uca.es

Chasqui. Revista Latinoamericana de Comunicación

N.º 144, agosto-noviembre 2020 (Sección Monográfico, pp. 81-96)

ISSN 1390-1079 / e-ISSN 1390-924X

Ecuador: CIESPAL

Recibido: 29-07-2020 / Aprobado: 22-10-2020

Resumo

A partir de reflexões sobre o papel do jornalismo na configuração dos desastres e a importância de uma narrativa mais complexa para estes momentos limites, apresentamos indicadores para a análise deste tipo de cobertura: “Denominação do desastre”, “Eixo temporal da cobertura”, “Relações causa/impacto/consequência/soluções”, “Evocação/papel das fontes” e “Acionamento de explicações técnico- científicas”. Traçamos considerações sobre os desastres no Brasil e trazemos exemplos de uma cobertura sobre um acontecimento envolvendo chuvas extremas na cidade do Rio de Janeiro. Constatamos, a partir dos indicadores, a dificuldade de a narrativa analisada se aprofundar em questões sociais e ambientais. Conclui-se que os indicadores são mirantes desde onde pode-se tanto analisar como incrementar a narrativa jornalística, dotando o acontecimento de um esquema de inteligibilidade mais complexo..

Palavras chaves: narrativa jornalística; papel do jornalismo; indicadores de análise; cobertura de desastres; desastres no Brasil

Abstract

The article reflects on the role of journalism in the configuration of stories about disasters and the importance of developing a more complex narrative in these limiting circumstances. The objective of the article is to present indicators for the analysis of this type of coverage, such as the following: “Denomination of the disaster”, “Time axis of coverage”, “Relation cause / impact / consequence / solutions”, “Evocation / role of sources ”And“ Activation of technical and scientific explanations ”. We outline some considerations about a disaster in Brazil, providing examples of the coverage of an extreme rain event in the city of Rio de Janeiro. We find it difficult to analyze narratively and in depth other important issues (social and environmental) at the most shocking moment of disaster coverage. It is concluded that the indicators are points of view from which the journalistic narrative can be analyzed and increased, that is, to better understand the disaster it is necessary to use more complex but accessible schemes, reconstructing the journalistic discourse.

Keywords: journalistic narrative; the role of journalism; indicators for the analysis; disaster coverage; disasters in Brasil

Resumen

El artículo reflexiona sobre el papel del periodismo en la configuración de los relatos sobre desastres y la importancia de desarrollar una narrativa más compleja en estas circunstancias límites. El objetivo del artículo es presentar indicadores para el análisis de este tipo de coberturas como los siguientes: “Denominación del desastre”, “Eje temporal de cobertura”, “Relación causa / impacto / consecuencia / soluciones”, “Evocación / papel de las fuentes” y “Activación de explicaciones técnicas y científicas”. Esbozamos algunas consideraciones sobre un desastre en Brasil, brindando ejemplos de la cobertura de un evento de lluvia extrema en la ciudad de Río de Janeiro. Encontramos la dificultad de analizar narrativamente y en profundidad otros temas importante (sociales y ambientales) en el momento más impactante de la cobertura de desastre. Se concluye que los indicadores son puntos de vista desde los cuales se pueden analizar e incrementar la narrativa periodística, es decir, para entender mejor el desastre es necesario utilizar esquemas narativos más complejos pero accesibles reconstruyendo el discurso periodístico.

Palabras-clave: narrativa periodística; rol del periodismo indicadores para el análisis; cobertura de desastres; desastres en Brasil

1. A narrativa jornalística como configuradora dos desastres

Entre os desafios da cobertura ambiental está a abordagem dos momentos de desastres. Um desastre é sempre multicausal, desenrola-se ao longo do tempo e ocorre pelo encontro de um evento extremo com diferentes vulnerabilidades. Trata-se de um acontecimento que afeta sobremaneira a sociedade e as narrativas jornalísticas o tornam inteligível para a maioria da população. Este trabalho pretende elencar alguns pontos sensíveis das narrativas acerca deste tipo de acontecimento a partir de várias reflexões pregressas (entre elas Amaral, 2019, Amaral y Lozano, 2016 e Puertas y Gutiérrez, 2019) e apontá-los como indicadores para a análise de coberturas jornalísticas num processo de autorreflexão e de qualificação do relato.

O jornalismo não apenas relata os fatos, mas os configura acionando uma rede complexa de fatores. Contribui com a delimitação conceitual do acontecer catastrófico e é alimentado sobretudo por ideias hegemônicas acerca das caracterizações e afetações dos desastres. As narrativas jornalísticas se constituem num lugar de diálogos sociais, “articulam saberes vindos das mais variadas instâncias das experiências individuais e coletivas, compartilhando-os para muito além dos limites de seus locais de gestação” (Carvalho, 2013, p.51). Nelas se atravessam tanto o imaginário popular, quanto a sabedoria científica, mas estas narrativas não são meros suportes, são configuradoras efetivas de inteligibilidades sociais. Constituem “formas de viver os acontecimentos e, principalmente, de vivê-los coletivamente” (Lage, 2013, p.233).

As notícias vistas em sequência e em conjunto revelam fragmentos narrativos (histórias, personagens, tragédias, conflitos, contornos morais e éticos) que vão se acumulando e se realizando na interpretação imaginativa do leitor. Assim, as notícias vão propondo encadeamentos narrativos como intrigas com princípio, meio e fim (Motta, 2004). Nelas estão imbricados a tessitura da intriga, a comunicabilidade da experiência, o poder de afetação do fenômeno e a necessidade de torná-lo inteligível pela narratividade, com base em Ricouer (1994). Compor a intriga “já é fazer surgir o inteligível do acidental, o universal do singular, o necessário ou o verossímil do episódico” (Ricouer, 1994, p.70).

A notícia como sistema simbólico não apenas informa, mas também ensina os públicos para além de seus conteúdos (Bird & Dardenne, 1999). Numa notícia sobre um acontecimento extremo, o jornalismo se utiliza de muitas convenções narrativas e valores notícias que revelam também “códigos culturalmente específicos” de contar estas histórias sobre a relação do homem com a natureza, por exemplo. Neste processo, a narrativa sobre um desastre não somente é prestadora de informações que podem salvar vidas, preservar ambientes e incentivar mitigações, mas também engendrar metanarrativas ou significações mais profundas e pré- figuradas que nos dizem o que é um desastre, quais são suas causas, que vulnerabilidades o geraram, como devemos nos relacionar com nossos entornos e como devem agir os afetados e os diferentes campos sociais implicados.

Baseamo-nos em Motta (2013) para afirmar que a narrativa é um dispositivo de argumentação em que os narradores investem na organização do seu discurso e solicitam determinadas interpretações por parte do seu destinatário. Por isso, é importante compreender o projeto dramático do narrador, pois quem narra tem um propósito, pretende atrair, seduzir, envolver, convencer, provocar efeitos de sentido e, por isso, a narrativa jornalística “é fortemente determinada por um fundo ético ou moral” (Motta, 2005, p.14). Estas metanarrativas constituem imaginários, são “o pano de fundo sobre o qual se desenvolve o conjunto de uma sequência ou enredo a respeito de determinado assunto” (Motta, 2017, p.206).

Inspiramo-nos em Leal e Antunes (2015), para quem o texto midiático vai sedimentando camadas de mediação em seu processo de emergência, trata-se de uma unidade não aleatória de informações, trabalho, acontecimentos, representações, conhecimentos, dispositivos de enunciação e procedimentos narrativos. Trazemos um olhar narrativizante para os desastres a partir da conexão de fragmentos que configuram uma narrativa ampliada (Leal, 2006 e 2013).

Baseamo-nos também em Quéré (2005) para quem o acontecimento tem um poder de revelação e se relaciona com a experiência e o poder de afetação, revelando campos problemáticos. No relato jornalístico, há formas usuais de disposição e encadeamento dos fatos e de relações de causalidade, que poderiam ser chamadas de pré- estrutura de convenções ou ainda de constantes narrativas não no sentido de estruturas imanentes, mas sim de recursos narrativos usuais, formas específicas de compor o acontecimento-intriga no interior da configuração do acontecimento como jornalístico.

Tendo em vista estas regularidades nas narrativas sobre este tipo de acontecimentos, o objetivo é sistematizar alguns indicadores para a análise da cobertura jornalística de desastres que podem ser considerados também pontos serem levados em conta pelos próprios jornalistas em seu trabalho cotidiano. Muitas vezes, a abordagem jornalística de um evento limite é repetitiva e amplia pouco o conhecimento sobre o acontecimento em questão. Os indicadores que aqui serão propostos surgem da constatação de algumas chaves interpretativas recorrentes. Não se constituem em uma proposta metodológica em si, mas sim em alguns aspectos a serem levados em consideração para uma cobertura mais complexa.

Os indicadores podem ser utilizados para avaliar a cobertura de diferentes tipos de desastres. Elegemos como importantes para esta reflexão os seguintes indicadores de avaliação da cobertura: “Denominação do desastre”, “Eixo temporal da cobertura”, “Relações causa/impacto/consequência/soluções”, “Evocação/papel das fontes” e “Acionamento de explicações técnico- científicas”. Trazemos, posteriormente, algumas reflexões sobre a percepção da sociedade brasileira acerca dos desastres e escolhemos uma cobertura onde acionamos os indicadores numa cobertura durante os dias de um desastre para ilustrar uma aplicação deles sem a pretensão de esgotar sua validação.

2. Indicadores para análise da cobertura

Passamos, a seguir, para os indicadores propostos de maneira mais genérica.

2.1 Indicador “Denominação do desastre”

Em todo o desastre, um dos primeiros desafios do jornalismo é denominá-lo. A denominação ou designação é o modo de apresentação do referente no discurso (Charaudeau & Maingueneau, 2006; Maingueneau, 2001, p. 179). O jornalismo é um lugar privilegiado de designação do mundo, a luta que se dá no campo jornalístico “gira em torno do ato de nomear, pois, nele, se encontra o poder de incluir ou de excluir, de qualificar ou desqualificar, de legitimar ou não, de dar voz, publicizar e tornar público” (Berger, 2003, p. 22).

A forma de denominar um acontecimento inaugura uma percepção que provavelmente será hegemônica até que as disputas simbólicas em torno desta nomeação venham (ou não) à tona. Afinal, um desastre é sempre um campo de conflitos a espera de sentidos. A denominação inscreve o acontecimento em determinados campos problemáticos, convoca alguns personagens e argumentos e desfoca outros. O jornalismo tem a possibilidade de nomeá-lo a partir de um enquadramento popular ou vulgar (chuvarada), a partir de uma classificação técnica (movimento de massa) ou de termos e expressões que já o inscrevem numa determinada ordem imaginária do acontecimento sensacional (acidente, catástrofe, caos, tragédia).as denominações que dão o sentido da gravidade do evento (emergência climática, crise climática), os que acionam responsabilidades (desastre anunciado) e outros que apresentam os acontecimentos como provocados por forças externas (fatalidade, desastre natural). O uso de metáforas (rio nas ruas, o rio invadiu, a chuva matou) cria também efeitos de sentido e auxilia na designação dos acontecimentos. Por vezes, algumas vulnerabilidades e alguns riscos que envolvem o acontecimento ficam mais evidentes na sua designação, outras vezes, são interditados. Ou seja, a denominação pode suavizar um acontecimento, dotá-lo de dramaticidade, configurá-lo no âmbito de uma explicação monocausal (temporal matou) ou ainda no âmbito da busca pela justiça (crime ambiental).

2.2 Indicador “Eixo temporal da cobertura”

O tempo incide sobre a narrativa jornalística de muitas maneiras. Há o tempo da produção da matéria jornalística, há a pressão do tempo na veiculação da informação e há a inscrição do tempo na narrativa do acontecimento. Por outro lado, o próprio acontecimento tem seu ritmo e por vezes o jornalismo é refém deste ritmo. Há o momento da emergência, de alerta ou eclosão da crise, que emerge sempre pelas suas consequências. Posteriormente, há uma fase que inclui a busca das causas e das controvérsias que envolvem o fato. Mais adiante, há o tempo das efemérides, ou seja, da recordação, muitas vezes concretizada nas retrospectivas de finais de ano ou nas datas que marcam o evento: “cada fragmento acrescentado distende a narrativa para trás, para adiante ou para os lados, reatualiza a história deixando os relatos em um permanente estado de suspensão.” (Motta, 2017, p.58).

A cobertura imediata se dá mais por acumulação de informações do que pela hierarquização delas. O jornalismo vive ao ritmo do acontecimento (Babo Lança, 2012), mas é preciso tencionar as narrativas muito centradas no desastre e ampliar este eixo temporal para aquém e para além da tragédia para incorporar temas como as vulnerabilidades e os riscos. A maior parte das limitações do jornalismo está na cobertura do durante o desastre (como o espetáculo e o sensacionalismo) até porque as condições de produção no durante são muito limitantes e a cobertura em compasso com a cronologia do acontecimento tem elementos anestesiantes. É menos provável que no calor do momento a narrativa jornalística consiga abarcar complexidades. No recurso a elementos do antes e do depois dos acontecimentos estão os maiores potenciais da narrativa jornalística em termos de prevenção ou de redução de desastres e percepção de riscos. Para que no durante do desastre se acionem passados e futuros, o jornalista precisa ter dados sistematizados, rede de fontes a disposição e formação adequada para apurar e escrever sobre o tema.

Outra questão importante é se pensar que um dos desafios da sequência da cobertura de um acontecimento é relatar quando um desastre começa, quanto ele dura e quando ele termina. Tanto o “ponto zero” quanto o “final” do acontecimento são escolhas da narrativa e também conformam delimitações conceituais do acontecimento.

2.3 Indicador “Relações causa/impacto/consequência/solução”

A apresentação destas dimensões de um acontecimento permite individualizá-lo e mostrar no que ele se difere dos demais, já que todo o acontecimento tem um potencial revelador que eclode junto com ele. As relações “causa/impacto/consequência/solução” representam parte da narrativa sobre uma tragédia e a forma como elas se apresentam pode mudar a inteligibilidade proposta para o acontecimento.

Este indicador está enredado com o indicador eixo temporal. Serve tanto para realizarmos um retrato instantâneo de um momento da cobertura quanto para examinarmos a cobertura ao longo de um eixo temporal. Como diz Rebelo, baseado em Flageul (2006, p.19), a narrativa jornalística é composta por uma tripla projeção no tempo, “descreve um movimento para trás, no sentido de descobrir algumas causas provisoriamente apresentadas como primordiais. Reconstitui, em seguida, os caminhos possíveis, desde as causas detectadas até aos efeitos observados. Por último, prolonga esses caminhos prevendo as consequências”.

Normalmente, a cobertura de um desastre inicia pelos impactos imediatos e, a seguir, por supostas causas ou causas aparentes. Há, neste aspecto, uma ingerência muito forte do conceito de notícia, pois será notícia e terá destaque o singular (por exemplo, a morte ou a destruição) e não o problema social ou ambiental que circunda o desastre. Já as causas aparentes estão presentes nas matérias (por exemplo, as chuvas intensas), mas há outra ordem de causas que podem ou não ser aprofundadas na cobertura mais tardia (por exemplo, as mudanças climáticas que causam as chuvas intensas). As soluções são, evidentemente, apontadas para o problema identificado, ou seja, se o problema é pontual, a solução será pontual. Se a causa for construída como um problema estrutural, a solução também apontará para este sentido.

Pesquisas anteriores a este estudo sugerem que a mídia enquadra as informações com muita frequência, nas consequências do fenômeno, em detrimento das causas e soluções para o problema. Puertas (2016), ao analisar o discurso midiático sobre as mudanças climáticas, os desastres e as migrações ambientais na imprensa espanhola de 2001 a 2006, conclui que o enquadramento da causa é o enfoque majoritário (43.42%), seguido pela definição do problema (19.73%), as sugestões de soluções (14.47%) e o enquadramento de juízos morais (11.84%). Em referência às fontes, são os representantes políticos e as autoridades que concentram seus discursos nas consequências e julgamentos morais, enquanto cientistas e especialistas concentram seus argumentos nas causas e possíveis soluções.

A partir destes indicadores, uma possibilidade é analisar a sequência em que eles aparecem ao longo da cobertura e outra é compreender como cada um deles, em específico, foi trabalhado nas matérias. Em pesquisa sobre notícias televisivas sobre o as mudanças climáticas em 2011 na Espanha, Teso Alonso, Fernández Reyes; Gaitán Moya e Lozano Ascencio & Piñuel Raigada (2018) identificaram cinco esquemas narrativos presentes para representar os impactos catastróficos: Etiológico (centrado nas causas dos impactos), Conclusivo (centrado nas consequências), Demonstrativo (expõe primeiro as causas e as consequências antes dos impactos), Ilustrativo (que expõe primeiro o impacto antes de suas causas e consequências) e Linear (expõe seguindo a ordem causas e depois impactos imediatos e consequência).

2.4 Indicador “Acionamento/papel das fontes”

Acerca deste item, há muitas questões que podem ser ponderadas a partir de nossas pesquisas (Amaral & Lozano Ascencio, 2016). Afinal, há uma margem de liberdade para o jornalista escolher suas fontes e definir que informações e declarações integrarão a matéria.

A primeira questão a ser observada é que a diversidade de fontes de uma matéria não necessariamente corresponde à diversidade de pontos de vista. A segunda questão é que há vários perfis para cada tipo de fonte. Se a opção é por entrevistar testemunhas de um desastre, algumas poderão se restringir a reconstituir o acontecimento, outras a contar sua emoção ou a cobrar responsabilidades do Poder Público. Lembramos que as fontes jornalísticas não são pessoas passivas ou lugares fixos onde o jornalista vai se abastecer de informações (Neveu, 2006), mas agentes sociais envolvidos no acontecimento em bruto com interesses e conhecimentos específicos que as transformam em personagens da narrativa pela ação do jornalista e, assim, a elas são atribuídos determinados papeis mais ou menos fixos (Amaral, 2015).

Quando ocorre um desastre, as fontes ligadas ao poder público e à política costumam ser consultadas, mas não assumem responsabilidades. Os especialistas passam a ser os definidores do enquadramento e as fontes testemunhais ou as vítimas atribuem os sentidos de veracidade ao acontecimento ao expressarem sobretudo suas emoções e auxiliarem na reconstituição dos fatos.

Estudos mostram também que matérias sobre desastres deveriam trazer maior número de experts, especialmente geólogos, urbanistas, sociólogos e ambientalistas. Como mencionam Valencio e Valencio (2017, p.181), há um gap entre o teor da cobertura jornalística e o teor de estudos críticos em Ciências Sociais e assim os dramas sociais são escamoteados pelo discurso tecnocientífico, forçando os olhares e preocupações da opinião pública para o monitoramento dos fatores de ameaça que seriam supostamente externos ao processo social.

Predomina a representação das vítimas em suas emoções como aflição, terror e tristeza e em suas superações individuais dos traumas (Amaral & Motta, 2018) e assim, quando elas são fontes, perdem sua condição de sujeitos e se convertem em objetos. Os relatos não dão lugar às manifestações que desvelem problemas sociais e revelem inconformidade, tensão, reivindicação ou posturas mais cidadãs. Em alguns momentos as vítimas são entrevistadas, mas sequer são identificadas nas matérias. Para Valencio e Valencio (2018, p. 30), as vítimas às vezes têm que “performar diante do microfone e câmeras de modo compatível ao papel estereotipado de vítima”. São muito frequentes a vitimização (pela fatalidade ou imprevidência), seguida dos relatos de solidariedade e, posteriormente, de superação individual, sem que se tenha uma fase em que o jornalismo dê visibilidade à capacidade agenciadora e cidadã destes sujeitos.

2. 5 Indicador “Presença de explicações técnico-científicas

Os desastres são multicausais e exacerbam desigualdades sociais. Neles estão contidos o enredamento de diferentes campos problemáticos que nem sempre são passíveis de serem compreendidos totalmente antes de sua ocorrência. Parte destes acontecimentos são, por exemplo, provocados por mudanças climáticas que requerem transformações econômicas e sociais profundas na sociedade, raramente citadas.

Se um desastre é complexo, explicações de diferentes campos sociais precisam ser acionadas. O jornalista pode acionar fontes que ampliem a cobertura factual transcendendo a mera descrição de elementos físicos para elementos sociais. Assim, um indicador de qualificação da cobertura pode ser a menção de explicações oriundas da Geologia, da Geografia, das Ciências Sociais, do Urbanismo, da Antropologia ou da Psicologia, por exemplo. Podemos estabelecer alguns campos conceituais ou termos considerados importantes acerca do tipo de desastre em análise para verificarmos se estão presentes e como são trabalhados nas matérias.

Faremos algumas considerações sobre desastres no Brasil para, a seguir, trazer exemplos de uma cobertura acionando alguns destes indicadores propostos. Afinal, compreender o contexto em que as narrativas jornalísticas se configuram é o primeiro passo para evocarmos os indicadores propostos.

3. Do imaginário edênico ao desastre na porta de casa

O mito de um Brasil edênico e sem desastres está presente no imaginário popular brasileiro e se revela desde uma carta sobre o descobrimento do Brasil enviada ao Rei de Portugal que relatava a descoberta uma terra paradisíaca até composições musicais muito populares que cantam o país como um “país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza”1 (Taddei, 2020; Freire de Mello, Zanetti, V. & Papali, M., 2014). Outra composição musical icônica menciona “as águas de março fechando o verão”2 numa composição que louva a chuva muito comum na região serrana do Rio de Janeiro e lembra do ciclo renovador das águas. Paradoxalmente, o sítio em que a música foi inspirada, com suas casas construídas às margens de um rio, foi destruído pelas chuvas quase 40 anos depois.

Taddei (2020) menciona que, de maneira geral, os desastres no Brasil foram invisíveis tanto no imaginário como na Antropologia e nas Ciências Sociais. Referindo-se às Ciências Sociais, afirma que historicamente estes acontecimentos funcionaram como dispositivos de naturalização de desigualdades tanto políticas como econômicas. Constata que praticamente também “não há desastres” na Antropologia brasileira ou que, pelo menos, os desastres não são tratados como “excessos”, mas sim como “acidentes normais” (como a seca). Entretanto, uma consulta às notícias mostra a ocorrência cíclica do que o autor chama ‘epidemias de sofrimento’ causadas por eventos extremos (Taddei, 2020). Por vezes, alguns foram tratados como transitórios e episódicos. Para o autor, a narrativa da natureza benigna ofuscou a ciclicidade dos desastres, não deixando marcas fortes no imaginário coletivo, o que talvez tenha mudado com os desastres recentes na região Sudeste, a mais rica do país.

Em 2010, um deslizamento de terras em Angra dos Reis (RJ) matou 52 pessoas. Em 2011, outro desastre envolvendo chuvas e deslizamentos matou pelo menos 840 pessoas em outras cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro. Cabe citar também uma sequência de desastres que ocorreram no Sudeste e não envolveram fenômenos hidrológicos, mas alteraram a percepção sobre eventos extremos como o rompimento de barragens de rejeitos de mineração: uma em Mariana (em 2015, que deixou 19 mortos e foi o de maior impacto ambiental do país) e outra em Brumadinho (2m 2019, que deixou 259 mortos e 11 desaparecidos), ambas em Minas Gerais. Em 2019, houve o vazamento de óleo em mais de 1000 praias. No início de 2020, Minas Gerais enfrentou o maior volume de chuvas dos últimos 110 anos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. Mais de cem cidades decretaram estado de emergência. Segundo a Defesa Civil, 55 pessoas morreram e aproximadamente 45 mil saíram de suas casas. No mesmo ano em abril, algo semelhante ocorreu no Rio de Janeiro, desastre que apresentaremos na sequência.

As fortes chuvas têm sido muito frequentes no país e as cidades, além de todos os problemas sociais que vivenciam, não estão preparadas para grandes volumes de água. As mudanças climáticas fazem com que estes processos sejam cada vez mais frequentes e destrutivos (Puertas y Astorga, 2010). O encontro de indicadores pluviométricos – nem sempre previsíveis e cada vez maiores – com vulnerabilidades sociais como ocupação de áreas de risco, falta de moradias seguras de interesse social e pouca permeabilidade do solo tem gerado acontecimentos de grande impacto.

3.1 Um caso para ilustrar

Entre os dias 08 e 14 de abril de 2019, ocorreram fortes temporais na cidade do Rio de Janeiro em circunstância do período chuvoso anual que, aliado a outros fatores antrópicos, causou 10 mortes, o desabrigo de inúmeras pessoas e danos na cidade. O caso foi escolhido não por ser único ou ter sido o mais extremo no ano, mas sim como representante de um acontecimento rotineiro no Brasil.

Analisamos a cobertura desde o dia 09 até o dia 11/04. Consideramos os textos das notícias não distinguindo se são títulos, lide, corpo da matéria, legenda ou tweets republicados. O trabalho analisa 28 matérias: as 14 notícias do dia 9/04, as 11 do dia 10/04 e as 03 do dia 11/04. Priorizamos os três primeiros dias porque no dia 12/04 desabaram dois prédios na Zona Oeste do Rio, matando 25 pessoas. Este acontecimento mudou o rumo da cobertura, pois além da influência das fortes chuvas, os prédios foram construídos clandestinamente, o que traria elementos que nossos indicadores não dão conta.

Optamos por trazer exemplos da cobertura no Portal UOL (Universo Online) por ser um dos meios de grande volume de publicação de notícias nacionais. O UOL pertence ao Grupo Folha, surgiu em 1996 e foi pioneiro em portais de conteúdo do Brasil. Entendemos que há peculiaridades na cobertura realizada por um portal que precisam ser minimamente delineadas. O fluxo contínuo, a atualização permanente, o uso do hipertexto e da multimidialidade trazem marcas importantes tanto na cobertura quanto no seu consumo desordenado e disperso. Tanto o acontecimento trágico impele a uma apuração em tempo real, por gotejamento, quanto a característica de um portal é a publicação de várias matérias, ao longo do dia, privilegiando diferentes aspectos factuais do ocorrido. As matérias podem ser atualizadas permanentemente e a cobertura fica refém do tempo cronológico dos acontecimentos (Adghirni, 2002), caracterizando-se como um mosaico.

As “Denominações dos desastres” mais frequentes são as que caracterizam o acontecimento como “natural” (chuvas, temporal, precipitações, tromba d’água e tempestade) que aparecem 47 vezes. As denominações que dão destaque para as consequências (transtornos, inundações, deslizamentos, desabamento, alagamento e enchente) constam 26 vezes nas matérias. A denominação do acontecimento como tragédia e caos, que reforçam o sentido da desorganização, totaliza 09 aparições. Incidente, termo que mobiliza os sentidos de evento imprevisto ou inesperado, aparece 02 vezes e situação de emergência aparece uma vez. Também foi recorrente nesta cobertura a personificação de elementos como a chuva como na matéria intitulada “Fortes chuvas provocam caos...”: “outro forte temporal acompanhado de fortes ventos matou seis pessoas e colocou a cidade em ‘estado de crise”. As mortes são atribuídas à chuva, um fenômeno externo, considerado praticamente fora controle do humano. Desta maneira, há um predomínio da narrativa do acontecimento como causado por forças externas e naturais, este é o ponto inicial da história.

Sobre o “Eixo temporal da cobertura”, a maioria das matérias mantém-se no presente, no durante do acontecimento. Quinze matérias das 28 se movimentam de alguma maneira para o passado na maioria das vezes para mencionar mortos em outras tragédias similares e, de maneira geral acionam sentidos de o quanto eventos como este são rotineiros, como vemos num dos títulos: “Tragédia repetida, fala repetida: o que Crivella3 disse em fevereiro e agora” ou quando uma matéria cita “[...] a ciclovia Tim Maia desabou pela quarta vez” (“O rio registrou ...”). Não observamos, entretanto, remissões ao passado no sentido de buscar as causas profundas do desastre e, sequer, menções ao futuro no sentido de evitar acontecimentos similares. Evidentemente que ao analisarmos apenas quatro dias do acontecimento, vão se sobressair questões de resposta imediata ao evento. Entretanto, caso o jornalismo estivesse mais bem preparado para aprofundar o tema, isso já seria perceptível nas matérias analisadas.

Vinte e duas das 28 matérias analisadas mencionam causas do desastre e, entre elas, as mais mencionadas são: a força da natureza (15), falhas gerenciais (12), topografia (02), vulnerabilidades sociais (01), imprevidência da vítima (01) e aquecimento global (01). O aquecimento global aparece uma única vez, numa declaração do prefeito que assim justifica as chuvas fortes. As matérias não são aprofundadas de modo a recuperar as causas da tal força da natureza. As falhas gerenciais foram citadas de maneira muito genérica, tais como a falta de drenagem urbana, a não contenção de encostas, as casas em locais inapropriados, a falta de antecipação da previsão das chuvas e falhas das sirenes de alerta.

Ligadas às causas estão também as menções às responsabilidades pelo acontecimento. Dezesseis matérias das 28 responsabilizam alguém pelo desastre. As que mencionam responsáveis, citam sobretudo o prefeito que, de alguma maneira, assume para si esta condição. O título de uma das matérias é: “Crivella admite falhas, mas pede ´bom senso’ ”: “são milhares de morros”.

Os impactos (não medidos) e consequências (dados racionalizados e/ou mensuráveis), aparecem em 25 das 28 matérias, o que se justifica pelo próprio conceito de notícia que privilegia o singular e o atual. Os impactos cristalizam valores notícias fundamentais na cultura jornalística. São citadas predominantemente as dez mortes, além de vias interditadas, deslizamentos, queda da ciclovia e soterramento.

Sobre as soluções, apenas 06 matérias das 28 citam algum tipo de solução para os problemas que cercam o desastre. Uma das matérias publicadas cujo título é “Justiça dá 72 horas para a prefeitura informar ações após temporal” enumera soluções para o problema até porque se trata de uma notícia sobre uma liminar da justiça que estabelece prazo para a Prefeitura comprovar a execução do plano de contingências das comunidades. Em duas matérias, as soluções aparecem como promessas do prefeito. As soluções apontadas na cobertura são sobretudo referentes à monitoramento de solo, drenagem de áreas contenção de encostas e revisão de protocolos de alerta para populações que vivem em área de risco.

Acerca do “Acionamento das fontes”, predominam as fontes oficiais. Trinta e sete das fontes são o prefeito, a prefeitura ou setores ligados a ela (como o serviço Alerta Rio que traz informações sobre a cidade e a previsão do tempo). Vítimas, afetados em geral e testemunhas aparecem 16 vezes e serviços meteorológicos ou meteorologistas aparecem duas vezes. Apenas 06 matérias se utilizam da fala dos afetados e duas falas se destacam com a manifestação de indignação de parentes das vítimas que se referem à possibilidade de a tragédia ter sido evitada. Uma única matéria (“RJ- Filha de morta...”) menciona “justiça para todas as famílias que vivem em áreas de risco na capital fluminense”, que consideramos em nossa análise como oportunidade dada para a fonte afetada ter um papel mais crítico e também uma rara menção a uma causa ligada à vulnerabilidade social.

Quanto ao “Acionamento de explicações técnico-científicas”, apenas 11 das 28 matérias mencionam algum termo ou expressão técnico-científica. No caso dos desastres potencializados pelas chuvas, optamos por mapear termos que pudessem relacionar o acontecimento com as mudanças climáticas ou com as vulnerabilidades sociais. A escolha pelos relacionados à meteorologia e as mudanças climáticas deu-se tendo em vista a severidade das chuvas intensas e inundações no país. A escolha de termos ligados às vulnerabilidades justifica-se porque dados mostram que em 2010, 8,3 milhões de brasileiros viviam em área de risco de desastres ambientais (Em 2010, o Brasil...). O equipamento chamado pluviômetro, que mede a quantidade de chuva, é um termo bastante citado (em 5 matérias). Os demais termos e expressões citados são: sistema que provoca chuvas, umidade do oceano, risco, média histórica de chuva, volume de chuva e volume pluviométrico. A expressão aquecimento global aparece em uma matéria, como já explicamos. As demais expressões que ampliam um pouco o enquadramento para além da violência da chuva e de seus impactos mais imediatos são: prevenção de crise (em 03 matérias), contenção de encostas (03 matérias) e ainda drenagem urbana, sistema que provoca chuvas e entrada de umidade no oceano (em 01 matéria cada).

Constata-se uma cobertura episódica, factual e estreita que, mesmo que cite eventualmente eventos similares no passado, não articula o acontecimento com as mudanças climáticas ou as vulnerabilidades sociais. A causa imediata ou aparente do desastre somada dos impactos (não medidos) são o eixo predominante das notícias. A força da natureza, “sobe” para o título e para o lead numa narrativa que privilegia o tempo presente (o acontecer catastrófico em suas horas e dias mais agudos). São raras as menções às vulnerabilidades sociais que orbitam o desastre e inexiste consulta a fontes especializadas fora do campo meteorológico. Soluções mais estruturais não são mencionadas. Um diferencial desta cobertura é que, surpreendentemente, o prefeito assume várias vezes responsabilidades sobre o evento não sem, eventualmente, dividir sua “culpa” muito pontualmente com as mudanças climáticas.

4. Considerações finais

Nenhum acontecimento extremo é totalmente previsível e sempre há um tanto de incompletude em sua narrativa. Em um desastre também cruzam-se múltiplas variáveis que extrapolam os indicadores propostos como o seu tipo e as características do entorno afetado, sua proximidade com o veículo jornalístico, sua linha editorial, a viabilidade da cobertura e os tipos de atores sociais envolvidos. Além do mais, todas as rotinas produtivas jornalísticas são implodidas e o que vale nesta fase é toda a experiência e conhecimento acumulados pelos jornalistas em desastres anteriores.

Conhecer alguns padrões narrativos no relato de desastres que sobrevivem tanto pelas condições de produção da cobertura quanto ainda por concepções culturais, sociológicas e antropológicas vigentes sobre a relação da sociedade com a natureza e os eventos extremos pode permitir ao jornalismo driblar as difíceis condições da cobertura.

O comportamento destes indicadores pode ser observado a partir de várias metodologias , eles se constituem em são pistas para pensarmos sobre as limitações e potências do jornalismo e outros tantos podem ser elencados. Evidentemente, eles se interpenetram e podem ser adequados à avaliação da cobertura de acontecimentos de várias ordens. Tratam-se de aspectos a serem observados na cobertura que conforme são manejados na narrativa salientam ou invisibilizam conhecimentos sobre o acontecimento. Ao serem esgarçados e esquadrinhados, podem provocar uma atenção maior à produção jornalística. Por isso, a cobertura precisa estar sob constante vigília e processo de autorreflexão para incorporar campos problemáticos ao entorno dos acontecimentos e dotá-los de maior complexidade e inteligibilidade.

O jornalismo ajuda a configurar os acontecimentos que narra e a sistematização de indicadores deste tipo pode contribuir com o esmaecimento da cultura dos desastres e com a promoção de uma cultura de prevenção de desastres. Para que isso ocorra, é importante que a narrativa jornalística repense a denominação dos acontecimentos, amplie a história para desde onde ela começa, busque as causas profundas e estruturais dos desastres, de voz ativa a diferentes agentes sociais e insira explicações que recorram às ciências de maneira geral, em especial às ciências sociais. Faz- se então necessária uma cobertura menos pontual e mais autocrítica com base em padrões amadurecidos progressivamente pelo campo científico e profissional.

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Matérias citadas

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Fortes chuvas provocam caos no Rio e deixam um morto (2019, Abril 9). UOL. Disponível em:https://web.archive.org/web/20190410155611/https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2019/04/09/fortes-chuvas-provocam-caos-no-rio-e-deixam-um-morto.htm

Justiça dá 72h para prefeitura informar ações após temporal (٢٠١٩, Abril ١٠). UOL. Disponível em: https://web.archive.org/web/20190411131306/https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/04/10/defensoria-chuvas.htm

RJ- Filha de morta em temporal diz que tragédia poderia ter sido evitada (2019, Abril 9) UOL. Disponível em:https://web.archive.org/web/20190410224805/https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/04/09/poderia-ter-sido-evitado-diz-filha-de-uma-das-vitimas-do-temporal-no-rio.htm

Tragédia repetida, fala repetida: o que Crivella disse em fevereiro e agora (2019, Abril, 10) UOL. Disponível em: https://web.archive.org/web/20200422162332/https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/04/10/crivella-chuvas-rio.htm


1 “País tropical” de Jorge Ben Jor (1969).

2 “Águas de Março” de Tom Jobim (1972).

3 Marcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro.

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